• Bruna Bertollo

A Dupla Jornada: o emprego formal e a rotina de afazeres domésticos

Atualizado: 7 de Jul de 2020


Historicamente as #mulheres pertenceram, durante muito tempo, à esfera do lar e eram atribuídas a elas as tarefas de cuidar da casa, dos filhos e às vezes de parentes idosos. Este era o seu trabalho. Sua condição começa a tomar outros rumos com o fortalecimento do capitalismo, advindo da Revolução Industrial, onde a mulher passa a ocupar nas fábricas postos de trabalho de baixo nível hierárquico e mal remunerados, todavia, essa inserção era esporádica. É após a Segunda #Guerra Mundial, com muitos homens voltando com problemas físicos e psicológicos decorrentes da guerra, que as mulheres passam a ocupar os primeiros espaços destinados aos homens, característicos de uma sociedade patriarcal. Portanto, neste momento, o trabalho passa a se configurar como mais uma jornada na vida da mulher, até porque suas funções anteriores (cuidar da casa, dos filhos e dos parentes idosos) ainda continuam sendo cobradas pela sociedade.


Atualmente no Brasil, de acordo com a pesquisa mais recente, que é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) realizada em 2018, o número de mulheres sobressai o número de homens. As mulheres são 51,7% da #população brasileira enquanto os homens somam 48,3% da mesma. Contudo, ao olhar para o tempo dedicado as atividades domésticas, segundo uma pesquisa realizada pelo portal Estadão em 2019, as mulheres dedicam 21,3 horas semanais aos afazeres ou cuidados com parentes enquanto os homens dedicam 10,9 horas a esse mesmo tipo de tarefa.


Ainda de acordo com a pesquisa do Estadão, quando se soma as horas dedicadas ao trabalho formal com o trabalho doméstico, as mulheres somam 53,3 horas de trabalho semanais e, já os homens, somam 50,2 horas. Esse último dado só reforça um ponto: de que as mulheres, em sua maioria, ainda realizam uma dupla jornada de trabalho. Indo ao encontro destes dados, a PNAD Contínua aponta que o fenômeno da dupla jornada é considerado um impedimento ao aumento da participação #feminina na força de trabalho. Em 2018, as mulheres somavam 52,7% da força de trabalho enquanto os homens somavam 71,5%, quase 20% inferior à masculina.


Apesar de representar a maior parte da população brasileira e investir mais em educação superior, 21,5% das mulheres terminam o ensino superior contra 15,6% dos homens que também concluem esse tipo de ensino segundo a pesquisa: Estatísticas de Gênero – Indicadores sociais das mulheres no Brasil, questões de #gênero ainda impactam o desenvolvimento profissional da mulher, desde suas escolhas de carreira até o seu nível hierárquico dentro das organizações. Embora haja uma dupla jornada na vida da mulher, os autores França e Schimanski (2009) afirmam que o trabalho é a maior conquista feminina, pois representa um espaço que foi construído e que em decorrência disso, pode ser percebido e sentido como uma realização pessoal que proporciona a esta mulher a #capacidade de oferecer a si e/ou familiares bens materiais e a subsistência da família.



Referências

França, A. L., & Schimanski, É. (2009). Mulher, trabalho e família: Uma análise sobre a dupla jornada feminina e seus reflexos no âmbito familiar. Revista Emancipação, 9(1), 65-78.


Instituto Brasileiro de Geografia – IBGE. (2018). Estatísticas de Gênero Indicadores sociais das mulheres no Brasil. Estudos e Pesquisas. Informação Demográfica e Socioeconômica, 38. Recuperado a 09 de Março de 2020 em https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101551_informativo.pdf


Amorim, D. (2019). Mulheres trabalham quase o dobro de horas que homens nos cuidados da casa e parentes. Estadão. Recuperado a 20 de fevereiro de 2020 de https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,ibge-mulheres-trabalham-quase-o-dobro-de-horas-que-homens-nos-cuidados-da-casa-e-parentes,70002805268


Instituto Brasileiro de Geografia – IBGE. (2018). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: características gerais dos domicílios e dos moradores. Recuperado a 27 de fevereiro de 2020 de https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101654_informativo.pdf

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