PERSONALIDADE: você sabe definir a sua?

Atualizado: há 2 dias

Se você gradua #psicologia ou atua como psicólogo sabe bem que esse é um tema crucial de estudo. Em algum momento da sua vida acadêmica e da sua carreira, esse tema estará diante de você. E como conceituar PERSONALIDADE? Que linguagem usar? É o que irei abordar ao longo do texto!


Quero dar um exemplo a vocês. Sigmund #Freud, ao criar a sua teoria da personalidade, fala desse assunto por meio de um conto grego, A história do Édipo. Ele usa uma linguagem figurativa para exemplificar o que é #personalidade. Já Hans Eysenck, outro teórico, escreve sua tese segundo a cadeia causal biológica. Ambos falam sobre personalidade, contudo, descrevem os elementos de maneiras diferentes.


A linguagem que cada teórico utiliza é singular e subjetiva. Eles colocam suas preferências linguísticas para dar forma ao tema e não para criar esteriótipos ou tipos humanos. Toda linguagem precisa ser compreendida dentro de um contexto, tempo e espaço. Logo, compreender a personalidade também é aderir a percepções variadas e reconhecer que ela, em parte, é possível ser descrita, em outra não.


Para melhor compreensão de personalidade, faz-se necessário lançar mão de uma padronização da linguagem. Para isso, devemos optar por fazer uso dos instrumentos psicológicos reconhecidos pelo SATEPSI .Nos manuais dos testes psicológicos há uma síntese que nos orienta em que precisamos focar em cada uma das teorias da personalidade. O próprio teste aponta qual a teoria na qual ele está se embasando.


Quando abdicamos de utilizar os instrumentos do SATEPSI para compreendermos melhor a personalidade de nossos pacientes, clientes e candidatos, há a probabilidade da descrição do avaliado apresentar erros de codificação ou interpretação da parte do avaliador. Visto que, quando alguém avalia outrem, deve abster- se da sua própria cosmovisão pessoal.


Para que isso ocorra, é preciso utilizar instrumentos psicológicos. Sem isso, a descrição apenas via observação clínica e instrumentos não regulamentados passa a ser pura interpretação e pode estar enviesada através do olhar do avaliador.

Na dúvida, pergunte!


Qual é o teórico de base do instrumento? Como ele classifica as características que estão sendo apontadas? Que linguagem ele está utilizando?


Dessa forma, você, estudante de psicologia, psicólogo ou leigo, poderá verificar a fidedignidade do que está sendo revelado.

Mas, afinal, Júlia, o que é personalidade?


Resumidamente, personalidade é um conjunto de fatores integrados que propicia-nos a :

  1. - avaliarmos o meio e a nós;

  2. - criar uma cosmo visão singular e partilhada do mundo;

  3. - nos manifestarmos através de comportamentos verbais e não verbais.


A união desses 3 elementos é o que permite haver interações sociais entre nós, humanos, das mais variadas formas e circunstâncias e também fornecer-nos uma identidade única sobre quem somos. Os famosos traços da personalidade.


A construção do conceito de Personalidade é feita a partir de teorias que adotam panoramas gerais e visões específicas sobre o assunto. Vamos começar com os 5 elementos básicos do panorama geral. Nele os cientistas respaldam-se em 5 elementos básicos para estruturar suas teorias. Sendo eles:

  • a nossa carga genética;

  • a modelagem do comportamento verbal e não verbal;

  • os nossos processos de aprendizagem;

  • as nossas experiências de valências emocional;

  • e a maneira pela qual tomamos decisões.

Esses 5 elementos estão presentes em todas as teoria da personalidade. Em cada teoria há uma linguagem, o que pode nos influenciar a entender que existem vários tipos de personalidade, mas NÃO, não existe. A personalidade é a integração dos elementos que citei acima.


Além dos conceitos já apresentados, há também outros componentes inerentes ao tema. Que são:

  • o nosso nível de adaptabilidade emocional.

  • o nossos nível de interação sociais.

  • o nosso grau de autoconsciência.

  • e o nosso grau de compreensão e expressão afetivas.


Inquestionavelmente, nenhuma teoria exprime em totalidade todos os conceitos que citei agora. Isso se dá pela dimensão e complexidade do assunto. Então, diante disso, o tema é subdividido em 4 ênfases para facilitar a nossa compreensão. Elas visam interpretar e descrever em minúcias como o ser humano se comporta, consciente e/ou inconscientemente, oferecendo aos leitores opções de reconhecer o comportamento humano através de óticas diferentes. Cada uma dessas ênfases detalha um item que ganha mais relevância do que o outro. Sendo assim, o critério da relevância fica a desejo pessoal do teórico.


A 1° Ênfase que existe é a da Psicodinâmica. Os teóricos dessa sessão compartilham uma preocupação central com as forças dinâmicas do inconsciente que sugerem determinar o comportamento humano. O foco deles é na junção dessas forças e como elas se estruturam e criam as nossas atitudes defensivas.Tudo isso para compreender o porque lutamos tanto para nos proteger. Os principais teóricos dessa ênfase são: Sigmund Freud, Carl Jung, Alfred Adler, Erich Fromm, Harry Starck Sullivan e Erik Erikson.


A 2° Ênfase tem um foco na Estrutural da Personalidade: Os principais teóricos aqui são: Henry Murray, Gordon Allport, Raymond Cattell, Hans Eysenck. Eles compartilham da ideia de que existe uma estrutura geral e universal, básica, da personalidade.Independente de qual seja o ser humano sua raça cultura etc. Existe uma taxonomia. E ela é construída de modo dinâmico através do processo de maturação do desenvolvimento humano.


3° Ênfase, ela salienta a Realidade Percebida: Os principais teóricos dessa ênfase são: George Kelly, Kurt Lewin, Carl Rogers. Os olhares desses autores estão nos aspectos fenomenológicos e na experiência do indivíduo, na sua singularidade e como ele constrói e interpreta a realidade à qual ele vai responder hoje.


E, por último, a 4° Ênfase, a da Aprendizagem: Foco no condicionamento, na capacidade que nós humanos temos para selecionar dados diante de possíveis consequências e vivências. O que governa o ser humano aqui é a operação do reforço. Suas escolhas e preferências. Os principais teóricos são: Skinner, Dollar e Miller, Albert Brandura e Walter Mischel.


Vale ressaltar que a personalidade é construída gradualmente. O nosso comportamento/ adaptabilidade são mutáveis até determinado nível. Existe sim certa plasticidade no nosso modo de ser, independente da teoria. A nossa modelagem ocorre até um período da infância ou durante todo o nosso curso de vida. Isso quem vai decidir é você, conforme a referência teórica que você vai adotar.


As teorias da personalidade não são verdades absolutas sobre o comportamento humano, são maneiras estruturadas e contextualizadas de revelar como somos ou podemos ser.


A personalidade não define o nosso curso de vida. Eu e você somos seres providos de oportunidades e escolhas. Revelar a nossa natureza humana é como conseguir desenhar o universo em sua totalidade. Impossível. Aqui , nesse tema, vale apenas julgar a nossa percepção sobre quem somos e ela sempre será parcial, incompleta e às vezes ilusória. O modo como nos vemos dependerá de uma cosmovisão. Mesmo com o uso de instrumentos psicológicos.


Minhas sugestões para você:


Links dos livros de referência para a construção deste artigo. Além de ser uma dica para você se aprofundar no assunto.


https://loja.grupoa.com.br/teorias-da-personalidade-8ed-p991099?tsid=34

https://loja.grupoa.com.br/teorias-da-personalidade-p992252?tsid=34

https://loja.grupoa.com.br/terapia-cognitivo-comportamental-para-transtorno-da-personalidade-borderline-e-p989699?tsid=34

https://www.amazon.com.br/Os-Tipos-Humanos-Teoria-Personalidade/dp/8532628621


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